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  • Jéssica Milato

Exercício da semana - Descrever um texto a partir de um vídeo.

Para entenderem o conceito dos textos é necessário assistir aos vídeos.

Por: Ceginara

Patas Sujas

Pode parecer piegas, mas meu dia começava naquele quarto, na intimidade de um casal apaixonado, aproveitando, enquanto Skelly dormia, para admirá-lo. E, o deslumbramento era sempre o mesmo. Não era beleza física que contava, mas a da alma, que nele se destacava. Como eu era feliz por ter esse sentimento correspondido e, sem perceber, peguei-me relembrando a nossa trajetória, o nosso primeiro encontro e tudo pelo que já passáramos. 

Como de costume, eu estava em meu local de trabalho desenvolvendo projetos de design para os próximos lançamentos da editora. Na minha mesa, o computador estava ligado desde cedo e eu encarava a pasta de novos projetos aberta. Acabara de finalizar a capa de um livro infantil e, a na sequência, iria fazer a de um romance de época.  Mas, sinceramente, estava difícil dar conta, ainda mais sozinho, do volume de projetos recebidos.

Estava tão focado, pesquisando imagens de referência para o que faria, que não percebi a aproximação daquela pessoa até ser por ela chamado.

— Olá! Eu me chamo Skelly. Vou trabalhar contigo no desenvolvimento das capas. A Sra. Martina iria nos apresentar, mas surgiu algum contratempo com uma gráfica e, por isso, disse a ela que não se preocupasse, eu mesmo o faria.

Quem era o cara que comigo falava? Como ele estava de pé, e eu sentado, comecei olhando-o, literalmente, de baixo para cima. Vi um sapatênis preto, acompanhando uma calça jeans preta estonada, com uma camisa azul despojada. Ele era alto, tinha um corpo robusto, cabelo ruivo desgrenhado, olhos castanhos intensos e a voz, que iniciou nossa apresentação, de timbre marcante.

— Prazer em conhecê-lo, Skelly. Eu me chamo Aldo. Seja bem-vindo ao Grupo Editorial Sunshine. Pronto para começar?

Ele sorriu e, dali em diante, nossa interação só aumentou, e a comunicação e sintonia se tornaram nosso ponto forte, principalmente nos projetos que finalizávamos. Mesmo sendo diferentes no estilo e forma de trabalhar, éramos complementares. Parece contraditório, mas foi assim que percebi o quanto admirava o jeito decidido, prático e rápido dele, enquanto eu era mais pensativo e cauteloso.

Não sei dizer em que instante esse relacionamento, até então profissional, mudou para algo além, indo para uma afeição que eu já não conseguia mais esconder. Juro que não pretendia me envolver com alguém do trabalho, tampouco ser rejeitado até mesmo na amizade que já havíamos conquistado, mas era mais forte aquele sentir do que eu imaginava.

Vinha há meses reprimindo aquele sentimento e, como ele nunca mencionava alguém especial, nem mesmo dava indícios de estar comprometido, minha esperança foi aumentando cada dia mais, conforme ele se mostrava atencioso, cuidadoso e carinhoso nos pequenos gestos comigo. 

Não sei dizer se foi por causa da romântica superlua prometida para aquela noite, ou por ser simplesmente uma sexta-feira convidativa, ou, ainda, por minha carência afetiva extrapolante, mas resolvi arriscar. Fiz a ele o convite mais clichê para nos aproximarmos ainda mais.

— Topa comer uma pizza lá em casa?

Foram segundos cruciais até ele me responder. A intenção para algo além estava explícita e, enquanto ele pensava, minha aflição aumentava só por imaginar ter estragado tudo. Estava pilhado demais que, quando finalmente veio o sim, não só relaxei, mas deixei claro o alívio que senti, e um sorriso recíproco nos uniu ali.

Logicamente, agindo por impulso, nada fora planejado para impressioná-lo, portanto, a casa estava um tanto bagunçada, com a louça do café da manhã ainda na pia, trabalhos de pesquisa editorial na mesa da sala, enfim, eu com meu jeito de ser sem filtros ou retoques. Rapidamente arrumei a mesa, e logo a pizza encomendada ali estava, bem como, a cerveja para acompanhá-la.

Conforme o tempo passava, percebi que algo o atormentava. Ele estava arrumando desculpas para ir embora? Teria se arrependido? Mas não era isso que parecia, tinha algo mais naquele desespero que eu não compreendia. Sem muita cerimônia, ele foi rapidamente para o banheiro. Sua expressão estava diferente, tensa. O que estava acontecendo? Ele estava passando mal? Precisava ir para o hospital?

Não consegui pensar muito, pois logo ouvi um uivo vindo exatamente de onde ele estava.

— Skelly, você está bem? Precisa de ajuda?

O silêncio me deixou ainda mais preocupado. Ele poderia estar desmaiado. Bati na porta desesperadamente, mas nenhuma resposta foi dada ao meu suplicante chamado. Corri até meu escritório, pois lá estavam as chaves reservas da casa. Encontrei a que abriria aquela porta, mas, nesse instante, o barulho de vidros quebrados soou mais alto. Eu não sabia o que imaginar e um medo avassalador quis de mim se apossar.

A visão que tive do banheiro não era a que esperava. Skelly ali não estava. A janela grande que sempre deixava entreaberta, estava estilhaçada e havia sangue pelo espaço em que ele passara. Por que ele fez isso? Eu não tinha como obter essa resposta se não o encontrasse e ele parecia precisar de cuidados urgentes.

A janela em que ele escapara dava para o jardim de minha casa. Peguei meu celular e acionei a lanterna e foi quando vi as marcas por ele deixadas com o ferimento que ainda não estancara. Comecei a correr ainda mais, podia ser mais grave do que pensara. Não demorou muito para que eu o encontrasse e o susto exponencialmente aumentasse. 

Não foi Skelly que me olhou, mas algo meio humano, meio lobisomem. Reconheci apenas a calça que ele usava, mas o resto, não. Seu tronco estava coberto por pelagem ruiva abundante e, os pés, agora eram patas gigantes. Mas foi seus olhos que me imobilizaram. Mesmo assustado, sem compreender como aquilo era possível, vi não só o meu amigo, mas o homem que eu amava. 

Devagar, me aproximei para não o assustar. Ele estava impossibilitado de levantar, pois o machucado havia causado danos maiores do que o esperado. Parece ridículo, diante do inusitado, perguntar o óbvio, mas assim o fiz.

— Skelly, é você?

Aquele olhar não deixava dúvida. Sim, era ele. Então, me aproximei mais e foi nesse instante que vi caninos expostos e um olhar que em nada combinava com fúria, mas com tormento e aflição genuínos. Eu não conseguiria ajuda-lo se continuasse a vê-lo desse jeito. Precisava pensar rápido e seguir o instinto básico de ajudar e proteger o ser amado. Foi assim que minha mente transformou aquele assustador lobisomem em um simpático cachorrinho. Sim, esse foi o gatilho que usei para espantar meu medo. Disse que iria ajudá-lo, se ele assim o permitisse, e foi dessa forma que consegui lidar com a situação.

Com muito custo, retornamos. Coloquei-o sobre a cama e fui cuidar dos ferimentos que aquele bichano tinha porque, seja na versão Skelly homem ou lobisomem, eu o amava. E, após tanta apreensão, finalmente sucumbimos à exaustão e adormecemos lado a lado.

No dia seguinte, ele me explicou que não sabia porque isso acontecia, mas desde os 21 anos era assim. Todo período de lua cheia trazia esse transtorno de volta, por isso, a reclusão e o afastamento, além de nenhum tipo de relacionamento. Três anos se passaram desde a sua primeira transformação e, mesmo assim, ele sofria imensamente toda vez em que ela ocorria. 

Nosso relacionamento tinha iniciado há apenas um mês, indo de vento em popa mesmo diante dessa adversidade. Mas, quando o calendário sinalizou o início de uma nova lua cheia, sabíamos o que esperar. Havia um instinto que o chamava para caçar, principalmente pequenos animais, de preferência os domésticos, e isso, aliado aos seus uivos, chamou atenção da vizinhança, depois que enfrentamos aquela terrível e reveladora semana.

Portanto, hoje iniciaria outro período crucial, e meu amado cachorrinho teria problemas. Novas patas sujas marcariam minha casa, cama e coração, eu sabia de antemão. Por isso, olhava-o por mais tempo, antes de levá-lo comigo para a cozinha e iniciarmos o dia. Fizemos tudo juntos, com amorosidade plena, até que os primeiros sinais de sua transformação tiveram início. Dessa vez, optei por acorrentá-lo, tentando evitar novos perigos, pois armadilhas tinham sido espalhadas pela cidade.

Fui me ocupar lendo, mas não adiantou. Resolvi lhe fazer companhia e, quando vi súplica em seu olhar, garantindo-me que iria se comportar, amoleci e cedi. Foi meu erro. Outra janela quebrada e ele à caça. Dessa vez, a gata da vizinha não escapou. Continuei a procurá-lo, já sabendo o local em que ele se refugiaria, o parque municipal.

o encontrei, com outro animal entre os dentes. Procurei argumentar calmamente, enquanto me aproximava, mas ele me olhou com fúria, assustando-me. Largou o pequeno animal e veio ferozmente em minha direção. Iria me atacar? Não, ele havia corrido para me salvar da armadilha em que eu cairia, só que agora era ele preso e ferido em meu lugar.

Após livrar sua pata direita daquelas garras de aço frias, voltamos vagarosamente para a segurança da minha casa e, em nossa cama, fiz o curativo necessário para amenizar o sofrimento daquele bichano. Aninhados, adormecemos, entretanto, logo o sol veio nos despertar, mostrando que tudo mais poderia esperar, porque novamente, ao meu lado, estava Skelly a me acarinhar.


Por Nívea

Num piscar de olhos

Não sou tão boa em guardar lembranças. Tenho uma memória tão fraca quanto o meu juízo. Todavia, lembro-me da primeira vez que te vi. Lembro-me de cada um de meus sentimentos e do suor que escorreu de minha testa, simplesmente por te ver caminhar. Como o encontro com outra pessoa pode gerar tantas sensações em um corpo de menos de um metro e sessenta? Até hoje eu não encontrei respostas, mas sei nomear o que senti: paixão. Sim, num piscar de olhos eu estava com os olhos tão fixos em você que não foi difícil de o coração perceber e se prender em seu corpo por muito tempo. 

Desde aquele dia, travei uma luta contra o meu coração, pois, apesar de te desejar, eu insistia em dizer “não!”, insistia em te desejar à distância. Todavia, o meu coração não ficou satisfeito, relutou em guardar esperança e me impulsionou até você. Essa luta interna fazia com que habitasse em mim dois objetivos distintos: por um lado, admirar-te de longe; por outro, criar coragem para te olhar de perto. Mesmo nessa dualidade, no centro havia algo certo: um desejo por você.

Mesmo com o meu grande esforço e talento em guardar o que sinto, não demorou até você perceber que o meu olhar se demorava toda vez que você entrava pela porta da universidade. O meu coração palpitava e levava o meu olho a atender o instinto de te observar passando por mim. Foi assim que gradativamente eu fui notada e, nesse instante, o meu coração traiçoeiro tomou tamanho lugar em mim que restou pouco espaço para a razão. Estava tudo sob controle quando apenas eu te olhava. Entretanto, quando o seu olhar cruzou com o meu, foi fatal. Eu já não mais me dominava tal era a força desse sentimento. 

Ora, quando fui percebida, tomei também consciência de que a vida não facilitaria. Não era tão simples me render a esse sentimento e ir te dizer pelo menos um “oi”. Eu não podia fazer isso. Nós sabíamos! Portanto, permaneci por um tempo às escondidas, mesmo sabendo que você já havia me notado. 

Contudo, há aqueles dias em que o coração acorda mais teimoso. E, numa segunda-feira, eu me rendi. Quando cheguei na faculdade e te vi, o meu coração saltou como para fora do meu corpo e foi ao seu encontro, deixando-me desnorteada. Dessa vez, não pude o segurar. Ele foi parar em suas mãos, sentiu o seu toque contra a minha própria vontade. Então, como eu não podia ficar mais parada te encarando, criei coragem para te observar de perto e, por fim, segui as instruções do meu coração, deixando de lado as do meu cérebro.

Quando enfim me aproximei para dar satisfação dos dias em que os meus olhos te perseguiram, notei que outros olhos estavam sobre nós. Percebi que existiam outras pessoas ao nosso redor que também nos observavam, mas não era uma observação afetiva — era como se o olhar de cada um ali esmagasse o meu coração. Foi, então, que comprovei mais uma vez: não seria tão simples. Portanto, mesmo diante de você, no momento mais oportuno para dizer o que eu tanto queria, fugi do assunto: 

— Gosto muito de Harry Potter — falei aleatoriamente. Dei as costas e percebi que você riu com as outras pessoas que estavam no corredor. Sua camiseta, na verdade, estampava a imagem de Galdalf, o mago de O Senhor dos Anéis. Além disso, você estava com o livro da trilogia em mãos. Será quem nem para te observar eu servia? Além de ter fugido do assunto que eu queria falar, ainda tive de acirrar uma disputa, pois você nitidamente preferia O Senhor dos Anéis, e eu seguia preferindo Harry Potter. 

Depois do desastre que foi aquela primeira interação, sentei-me em silêncio no meu canto favorito da universidade, aquela mesa que ficava atrás das árvores do campus. Meu coração estava confuso e eu já me acomodava com a ideia de não poder te ter por perto. O amor não é e nunca será simples, pensava sozinha. Além do mais, nem eu sabia se deveria nomear aquilo de amor, pois eu sequer te conhecia, só havia me encantado contigo — havia me encantado verdadeiramente. 

No entanto, quando eu menos esperava, notei alguém invadindo o meu canto privado, interrompendo os meus pensamentos. Era você. Sua pela negra e cabelos cacheados fizeram mais uma vez o meu coração saltar do lugar, mesmo que ele ainda estivesse machucado por eu ter fugido de um sentimento legítimo. 

— Está tudo bem, eu também gosto de Harry Potter — você disse com a sua voz mansa. Eu não respondi, o que te fez continuar: — Quem nunca confundiu Galdalf e Dumbledore que atire a primeira pedra. — Dessa vez, você sorriu, o que me desmontou. 

— Desculpa, não queria te constranger — falei baixinho, finalmente. 

— Relaxa! Você não fez isso. Como você conseguia manter aquela mansidão toda? Enquanto você tomava as rédeas daquela interação que mais parecia um monólogo, eu tentava decidir se dizia logo que estava apaixonada ou se continuaria em silêncio sobre isso. Porém, antes de eu pensar em dizer algo, você me deu um abraço acalentado. Meu coração encontrou um momento de paz e, pela primeira vez, notei que ele não palpitava desesperado, já era possível aproveitar o segundo estágio daquele sentimento: aconchego. 

Todavia, num piscar de olhos, você já não estava mais do meu lado. Abraçou-me, levantou e saiu. Foi o suficiente. De minha parte, continuei sentada ali perto daquelas árvores, provando o cheiro doce que você havia deixado para trás. Não consegui decidir nada, você decidiu em meu lugar. Então, foi quando o meu coração voltou a acelerar e eu desejei me chacoalhar para aprender a ter mais coragem. Eu pude te ver se distanciando e dentro de mim o coração gritava: você nem sequer perguntou o nome? 

Pois bem! Essa sou eu, a moça de memória fraca. Consegui nomear o sentimento que tive por você, nomeei o que senti quando você me abraçou, mas não fui capaz de lembrar de te perguntar seu nome para poder te nomear. Assim, fiquei eu sentava por um tempo, dando nome a muitas coisas, mas sem saber qual era o seu. Talvez, aquele abraço escondido atrás das árvores tenha me desconcertado. Culpei, então, o meu coração. Ele foi inconsequente e não me deixou pensar direito. Pelo menos eu já sabia algumas coisas sobre você e guardava o seu abraço, mesmo que o principal havia ido embora. Qual é o seu nome? Num piscar de olhos, novamente, estava eu lutando comigo mesma. Todavia, decidi te dar um nome provisório: my precious. Aquele dia, então, assisti o Senhor dos Anéis pela primeira vez.


Por Dani

A mulher raposa

Em uma floresta distante, uma linda e misteriosa raposa anda tranquilamente pela mata quando avista uma maçã apetitosa no meio de uma armação de ferro, ela se aproxima, cheira e rodeia a fruta na intenção de matar sua fome, entretanto percebe que algo está errado. 

Escondidos entre as árvores, os caçadores chineses Chiang e Liang observam a raposa e esperam pelo momento em que ela cairá na armadilha de urso, no entanto no estalar da armadilha se desarmando, eles veem a maçã cair no chão e a raposa fugir por entre a mata, revoltados por terem mais uma vez perdido a presa, eles correm atrás de sua caça.

Fugindo dos caçadores, a esperta raposa mergulha em um lago, onde a água se resplandece fazendo a magia acontecer, transformando a misteriosa raposa em uma linda mulher.

Quando Chiag e Liang chegam no lago, ficam surpresos com a beleza daquela mulher desconhecida. A mulher raposa com toda sua sensualidade e beleza se aproxima dos caçadores, se movimentando graciosamente ao redor deles e os seduzindo com seu encanto singular, e então tão de repente quanto surgiu, ela foge e desaparece na floresta. 

Hipnotizados por aquele ser tão belo e misterioso, Chiang vai em direção ao caminho que ela seguiu, contudo é derrubado por Liang que anseia encontra-la primeiro, então surge uma rivalidade entre eles que começam uma luta pela linda desconhecida que observa de longe a ira de ambos e o desentendimento entre eles. 

Com sua força imensurável, Chiang arremessa uma rocha contra Liang, que consegue desviar e atingir um soco no outro caçador. Chiang revida e joga Liang com tanta força para o alto que por minutos eles desaparece no céu. Chiang olha para imensidão azul e vê raios se formando na escuridão trazendo Liang de volta com uma força poderosa que atinge Chiang com uma descarga elétrica. Furioso, Chiang dá socos no chão que se abre com sua força e seus braços se transformam em grandes rochas que ele usa para ferir Liang. Entre socos e raios eles continuam lutando de baixo de uma grossa chuva que cai sem piedade do céu, grandes rochedos se desfazem devido a fúria e a força dos caçadores. Pedras rolam para o precipício enquanto os dois travam uma batalha sem fim e quando eles vão em direção um ao outro em uma velocidade gigante, seus corpos se chocam um contra o outro com tanta força que os derrubam no chão, ambos exaustos e derrotados por uma luta sem vencedor.

A bela mulher aparece e observa os dois caçadores que se encontram caídos no chão, eles abrem os olhos e a veem entrando no lago, nadando até o outro lado e quando ela submerge das águas em sua outra forma, percebem que a mulher por quem eles lutaram até perderem as forças é na verdade a raposa que eles tanto ansiavam matar e que na verdade ali naquele momento eles viraram a caça e ela a caçadora que obteve êxito em destruir suas presas. A raposa lambe sua pata para tirar os resquícios de água, olha para os caçadores e se infiltra na mata seguindo seu caminho, deixando os caçadores derrotados e descrentes com sua inteligência.  

Por Laércio

A Arte, a Dor e os Infinitos

Quando Dóris decidiu engravidar, não titubeou, escolheu um namorado de ocasião e conseguiu o que buscava. Deu tudo certo, ele assustou-se com a notícia e não apareceu mais. 

Dóris era uma mulher assim, decidida. Nunca entregou-se aos convencionalismos que, ela sabia, estavam apenas pseudo sepultados. Sua fisionomia era delicada, sorriso macio, olhos castanhos, corpo delgado e pouca estatura. Seus modos também eram delicados e a voz mansa combinava com a expressão de certo aluamento. Poderia até passar por frágil, caso o interlocutor deixasse-se levar por sua aparência. 

Sempre sentiu-se pouco compreendida pelos pais, optou por sair cedo de casa e morar sozinha. Viveu uma temporada com amigas, trabalhando em cafés e sorveterias. Mas o que buscava mesmo era ter um espaço só para ela, onde pudesse fazer, livremente, o que mais gostava: pintar. Sempre teve paixão por pintura e era só entre tintas, telas e pincéis que sentia-se realmente em paz. 

Como não era pessoa de deixar os sonhos adormecerem, batalhou e, aos vinte e cinco anos, já estava devidamente instalada. Pintou, repintou, irritou-se, jogou quadros da janela do apartamento para que encontrassem seu destinos espatifados na calçada. Vendeu suas obras na rua, brigou com fiscais e enfrentou quem ironizasse sua arte. Após um ano colecionando frustrações, começou a sentir mais confiança no que fazia. E, de fato, era uma grande pintora. Antes dos trinta já era demandada por curadores que queriam sua presença em boas galerias da cidade. Aos trinta, relativamente bem sucedida, resolvida e sem nenhum desejo de casar, os homens a cansavam, resolveu ser mãe. Sozinha. Como dissemos, o plano deu certo.

Não, o plano não deu certo.

A gravidez parecia que estava correndo muito bem. Acompanhamento médico adequado, os avós contentes com a notícia, roupinhas compradas. Até o berço, que havia sido da sua vó, da sua mãe e dela, estava devidamente restaurado para receber a Tati. Sim, esse seria seu nome. 

— Tatiana? 

— Não, Tati.

Um dia, no meio da noite, Dóris acordou preocupada com aquele silêncio na sua barriga. Tentou convencer-se que não era nada, não conseguiu. Não dormiu mais. Quando amanheceu, levantou-se, tomou um chá, preocupada, e ligou para seu médico. 

— Podes vir às 13:30hs?

— Estarei aí.

Eram 13:38hs quando o médico ouviu o mesmo silêncio e também não gostou. Emergência, avisos imediatos, maca, corredor passando rápido, anestesia, corte, sangue, mais sangue. Tati estava morta, Dóris entrou em coma. 

Acordou dois dias depois, assustada. Passou a mão em sua barriga antes de tocar a campainha. A resposta da enfermeira à sua pergunta foi uma flecha certeira no epicentro das suas emoções. Dóris não reagiu, manteve os olhos secos.

Teve alta alguns dias depois, os pais a levaram para casa. Não aceitou o convite de ficar com eles. Queria estar só, entre seus quadros e tintas. Não permitiu que tocassem no berço.

— O berço fica onde está. Deixem-me, ao menos, o direito de despedir-me da minha filha.

Passaram-se dias, semanas. Dóris pouco comia, pouco pintava, não saía de casa. Começou a encaixotar coisas, queria mudar-se, não sabia para onde. 

O berço, vazio e arrumado, permanecia ali, no meio do ateliê.

Um dia, sentiu um breve vento do leste entrando pela sua janela. Não desconhecia que o lestinho é o vento da esperança. Sentiu o sopro em seu coração dolorido e, pela primeira vez, em meses, teve vontade de pintar. É certo que o vento trouxe lembranças, acompanhadas de uma furtiva lágrima, mas trouxe, também, desejo de voltar a expressar-se. Procurou as telas, preferiu uma parede grande e desocupada, a única livre daquele cômodo. 

Ficou muitos dias pintando aquela parede. As lembranças da filha a acompanhavam. Sentia ela crescendo dentro do mural que ia tomando forma. Pintava uma grama e ouvia passos e barulhos de crianças brincando, se pensasse em pintar uma piscina, via a filha de boia, feliz, em desajeitadas braçadas. Pintou um pássaro, pequeno, filhote, frágil, e chorou. A flecha seguia ali, pontuda, ferindo, parecia mais um pião afiado rodando sobre o próprio eixo. Aquela mulher forte, decidida, altiva, estava perdendo a batalha para a dor. 

— E alguém pode me condenar por isso?

Mas a arte...a arte salva, ao menos aos que se deixam salvar. 

Os dias foram passando e aquele mural foi tomando forma, a pintura traduzia uma beleza única, a artista foi enamorando-se por ele. A obra era intensa e as pinceladas fortes, como seu sofrimento. Mas a leveza da paisagem contrastava com sua dor, o que, de certa forma, intrigava Dóris.

— Você não vai contar do pássaro?

Durante todo o processo criativo, aquele pássaro pequenino que Dóris pintou seguia crescendo. Ela, e só ela seria capaz, o viu criar asas, pegar cores, andar para lá ou para cá. Mas não voava. Era um pássaro que nunca havia voado. 

Certa tarde, sentada no chão, observando o mural, sentiu uma ponta de satisfação. Imediatamente entristeceu-se, culpando-se, intimamente, por alegrar-se com algo. Ficou ali, naquela posição, entre quase feliz e profundamente triste, por minutos, talvez horas. Não sabe em que momento adormeceu, mas sabe que sonhou.

— No meu sonho, o pássaro rompeu a parede de tinta e jogou-se na direção do berço. Morreu antes de chegar nele, ficou caído no chão. Eu o tomei nos braços, aquele pássaro aconchegou-se junto ao meu coração. Foi a única vez que peguei meu filho no colo. 

Quando abriu os olhos, estava deitada no mesmo lugar, a parede feita paisagem na sua frente. Lembrou do sonho e por minutos ficou na mesma posição, de lado, costas curvas, joelhos buscando o queixo. 

Dóris estava pensando em seu sonho, no que viveu, no que viu.

Emergiu, decidida. Pegou o pincel e desenhou um ponto, em meio ao céu azul jogou uma simples gota de tinta. Afinou o pincel, ajustou aquela gota. Olhou o que fez em diferentes ângulos, movendo sua cabeça, dando pequenos passos para uma e outra direção. Outro pincel, outra gota, essa ainda menor. Mais olhadas, mais uma ou duas pinceladas.

— Pronto, está pronto.

Qualquer um poderia ver que, naquele quadro, naquele momento, um pequeno pássaro voava ao longe, para longe, para o infinito de onde veio, para o infinito aonde todos vamos.

Finalmente, a necessária despedida.

Dóris colocou o pincel sobre o pote d’água, olhou o que havia feito e manteve silêncio. Sentiu outra vez uma quase felicidade, mas agora não culpou-se por isso. Entendeu que sua filha fez o que competia-lhe fazer, agora era sua vez. 

Com sua arte, Dóris liberou sua filha, libertou-se a ela própria, pôde voltar outra vez à vida.

Por Ilma

Por seu sorriso

Depois que  arrumou o quarto dos filhos,  organizou os desenhos do mais velho. Monstros, dragões,  cachorros enormes e grotescos inundavam as páginas.  Olhou pela janela o casario morro acima.  Ficou imaginando que aquela visão dura da realidade do morro, com seus barracos amontoados e inacabados, servia de fonte de inspiração para o filho.Os traços agressivos dos desenhos revelavam o que a mente adolescente elaborava pela vista da  janela. Desde que a mulher se fora, o filho só trocava monossílabos e jamais sorrira outra vez.

Ele, o marido, tivera culpa sim, mas a mulher fora intransigente também, não pensara na falta que fazia para os filhos. Na noite anterior à sua partida, tiveram a derradeira discussão:

— Selma, por favor.

— Por favor digo eu, estou cansada.

— Você acha que é fácil para mim? 

— Ah, não,  é para mim que é fácil ? Chega,  acabou,  pra mim deu.

— Fala baixo, vai acordar os meninos.

— Agora tem preocupação com os meninos, né? Mas trabalhar para colocar comida dentro de casa nada, né?

— Selma,  as coisas vão melhorar…

— Ah, vão! Quantos empregos em 12 anos de casamento?  Fora o tempo desempregado.Sempre chegando atrasado...

— Escuta…

— Acabou, chega, acabou.

— Selma, eu te juro,  estou com um  palpite ótimo que vou vender muitos quadros. Olha, eu vou levantar cedo e vou pra feira  e só volto quando vender todos os quadros.

—Não, Cléber, eu cansei,  cansei de você, dos seus quadros, suas tintas, dos seus sonhos, eu cansei!

— Eu ainda vou ser famoso e meus quadros vão vender feito água.

— Enquanto esse sucesso não chega,  eu fui, tá?  Vê se cuida bem dos nossos filhos!

Depois da briga, ele subira para o seu ateliê, que nada mais  era  que um quartinho em cima na laje, e pintara freneticamente até alta madrugada, como era de seu costume. Só entre seus pincéis e tintas encontrava paz e felicidade.

****

Agora viviam das parcas vendas de seus quadros aos domingos na Feira Hippie e do que a mulher mandava. Ela fora tentar a vida em São Paulo, estava se mantendo, mas ainda não viera sequer uma vez. A salvação é que os filhos se alimentavam na escola, ficavam fora  o dia inteiro, voltando só às 18 horas. Aos domingos, o mais novo ganhava uns trocados como estátua viva na feira.

Sentou-se olhando pela janela do quarto dos filhos e viu um pé frondoso de buganvíleas roxas. Suas flores  derramavam-se por cima do muro do vizinho. Cléber teve, então, uma ideia: conversou com o vizinho e pôs-se a trabalhar febrilmente.

À tarde, aguardou os filhos regressarem da escola. O mais novo, sempre tagarela, descobriu logo:

— Nossa, pai, que legal! É o desenho do rosto da mamãe e as flores estão como o cabelo dela,  cacheado e curto.

O mais velho se acercou da janela e, pela primeira vez em muitos meses, deixou entrever um leve sorriso. Cléber esperava que toda vez que o filho olhasse pela janela, recebesse o sorriso contagiante da mãe,  pintado no muro em frente.

No outro dia, o vizinho do lado procurou-o para pintar seu muro também. Esse deu um pouco mais de trabalho, porque não estava rebocado, mas Cléber conseguiu um bom efeito: um menino em sua bicicleta, sonho de consumo de muitos meninos do morro.

O convite para o terceiro muro, agora do lado esquerdo, veio em seguida:

— Cléber, se eu conseguir a tinta, você faz bonito assim no meu muro?

— Faço, arruma lá.

Embora o semblante do filho mais velho se suavizasse a cada dia, com as obras de arte dos muros dos vizinhos,  as contas se acumulavam.Os vizinhos eram tão desprovidos quanto ele, não podiam pagar pelas pinturas. Precisou renegociar com a companhia de energia elétrica para que não cortasse sua luz. Começou a faltar dinheiro para as suas tintas. Seria o seu fim! Sem seus pincéis era um morto-vivo: ele respirava por meio de seus quadros.

Os filhos chegaram da escola com uma novidade: a visita da professora. Recebeu-a acanhado pela simplicidade do barraco.

— Gostaria de parabenizar o senhor pela beleza dos muros.

Ele sorriu, timidamente:

— Ah! Obrigada, mas não é nada , faço só para alegrar a molecada.

— Então, percebi que o Mateus está mais feliz, mais comunicativo. Ele me contou que o senhor manda muito bem no grafite. E eu queria lhe fazer um convite:  ensinar grafite para os alunos na escola.

Ele mudou de um pé pro outro e coçou a cabeça:

— Eu agradeço, mas eu não sou grafiteiro, sabe, sou pintor, pintor de quadros.

Levou-a até à sala, mostrou lhe suas obras:

— O senhor é  talentoso, realmente. Parabéns! Bem, gostaria que o senhor pensasse a respeito. Os alunos o admiram muito! Todos nós lucraríamos com essa parceria, principalmente a comunidade.E o senhor teria um emprego, com os fins de semana livres.

Cléber subiu para o seu quartinho na laje,  seu ateliê, e pintou. Pintou apaixonadamente durante toda a semana,  até que gastou todas as tintas restantes.Suas pinceladas vigorosas tentavam apagar seus pensamentos conflitantes:

“ Por que não ? “

“ Porque não sou grafiteiro.Sou artista.”

“ Mas todo grafiteiro é um artista.”

“Mas sou um pintor, sou talentoso.”

“ O que você tem a perder? Já perdeu tanto!”

“ Seria uma desmoralização, posso viver da minha arte.”

“Mas e as contas?”

“Vou dar um jeito.”

Dormiu exausto no chão do ateliê e acordou com o estômago roncando: sua realidade. Reuniu todos os quadros e foi pra Feira Hippie. Conseguira vender 3 quadros pelo preço de um. Mas, quando faltava meia hora para ir embora, foi abordado pelos fiscais da prefeitura: onde está o alvará de licença? Recolheram todos os seus quadros com  o valor da multa e endereço de devolução. 

Cléber recolheu  seu orgulho, seus sonhos e se apresentou na escola: ensinaria o grafite.

Tempo depois, todos os muros do morro que levavam até à escola brilhavam: o novo monitor promovera uma revolução na comunidade, deixando que seus alunos extravasassem suas emoções, seus sonhos e anseios pelos muros a fora. O empenho da garotada se tornava visível muros acima. Havia mais leveza, encanto e poesia pelas curvas que subiam pelo morro do Sobral.

Uma noite, depois da janta, o filho mais velho lhe mostrou seu primeiro quadro: todas as casas do morro com uma pintura nova e um grafite.

O pai  sorriu e recebeu, de volta, um largo sorriso.

Por Rahab

O Paradoxo Do Dia e Da Noite

Duas vezes por dia — ou duas vezes por noite — ou duas vezes por dia e noite — o dia e a noite podem não ser nem dia e nem noite — ou dia e noite ao mesmo tempo.

Sempre naquele minuto antes da grande bola dourada no céu desaparecer completamente, o dia e a noite ficavam com as mesmas cores como dois irmãos gêmeos vestidos pela mãe: azul aqui, amarelo acolá, um rosinha fraco e um lilás. Eles sempre tinham aquele minuto todos os dias — ou todas as noites — para se abraçarem e não se sentirem tão sozinhos, afinal.

Depois, a grande bola de prata surgia e a noite era noite e nada de dia. Até mais tarde, quando a grande bola de prata desapareceria e aí viria a grande bola dourada e um minuto antes dela surgir, dia e noite podiam ser nem dia e nem noite ou dia e noite ao mesmo tempo. E depois disso seria só dia — o dia inteiro — até que chegasse a noite.

O dia não sabia quando conhecera a noite. Achava que ela era mais antiga que ele, talvez. Mas tinham uns que diziam que não existiria a noite sem o dia, então, talvez eles tivessem nascido juntos. Mas isso foi há muito, muito tempo, quando ainda não haviam nem homens, nem mulheres, nem crianças e nem cachorrinhos fofos rolando na grama. O dia achava a noite linda demais, cheia de pequenas luzes e uma escuridão profunda repleta de mistérios.

O dia era quase um livro aberto, não tinha segredos, e a noite achava isso fantástico. Todos amavam o dia e seu esplendor amarelo, sua agitação vivaz. E até quando ele ficava triste e chorava, havia uma luz de muitas cores sobre suas lágrimas. A noite, às vezes, queria ser dia. E o dia, às vezes, queria ser noite.

Mas aí teve um dia — porque era pra ser dia mesmo, e não noite — em que a grande bola dourada se enfiou junto com a grande bola prata e tudo escureceu. E daí nem dia e nem noite sabiam o que era aquilo que acontecera, porque, ora!, ainda era pra ser dia, mas já era noite! Era noite bem no meio do dia.

E a noite ficou até constrangida de ser enfiada assim do nada no meio do dia, sem explicação nenhuma. Teve até medo de seu amigo dia ficar bravo com ela por causa disso e foi ficando vermelha e vermelha de vergonha e tão vermelha que sumiu. E pronto! A grande bola amarela foi pra um lado e a bola prata foi pro outro e voilá, era dia de novo! (mas só até à noite, quando seria noite e não dia).

E também teve uma noite — uma noite mesmo — em que uma outra bola dourada passou voando no céu, assim como uma noiva, com véu e grinalda e tudo. E daí tudo ficou claro e foi dia. Um dia bem no meio da noite, e nem dia e nem noite sabia o porquê. E o dia até ficou encantado por poder fazer uma breve visita à sua amiga noite, assim, de repente. Mas foi sumindo e sumindo, até que sumiu e puff!, era noite de novo.

A noite e o dia não sabiam porque tais fenômenos aconteciam. Acham que é Deus lá no céu, que tinha pena deles às vezes, e os permitia quebrar a rotina e serem mais do que eram todos os dias — e todas as noites.

Dizem que no espaço não há dia e nem noite. E os humanos acreditam que, um dia — ou uma noite —, chegará um tempo onde não haverá nem dias e nem noites, nem dor, nem medo.

E o dia e a noite seguem sendo dia e noite — todos os dias e todas as noites — esperando alguns desses pequenos fenômenos absurdos para diverti-los. Ou os grandes fenômenos absurdos para mudá-los para sempre.

Por Denilson

A PAIXÃO DA MORTE PELA VIDA

Ao alvorecer, com o majestoso sol adentrando e irradiando, num dia bem leve e com pássaros cantando firmes em perfeita sintonia com a natureza, surgiu algo assustador...

Um ser estranho, com vestimenta preta entrou em cena e foi tocando nos elementos da natureza animais, plantas... e todos eles foram emudecendo. Era a morte. Ela estava entre os seres vivos - de forma bem natural - levando o silêncio total deles deixando-os sem vida. 

A morte era muito séria, sem brilho que levava o descanso a todos que tocassem com a palma da sua mão. 

Em uma de suas andanças à procura de almas para concedê-las o descanso eterno, deparou-se com cervo e quando estava quase pronta para o bote, sentiu algo muito diferente... O animal a encarou. Foi uma troca de olhares profundos, cheia de sentimentos... Em busca de fôlego, já trêmulo, o brutal foge. 

O anjo da morte passou a segui-lo até encontrá-lo com a família, mas a partir daquele instante já não queria fazê-lo perecer. Queria estar perto, senti-lo, viver aquela conexão era tudo que ele queria naquele novo mundo. Sabia da fatalidade do seu toque, mas queria apreciar o dom da vida, a mãe natureza juntinhos... 

Os olhos do anjo reluziam ao ver a vida fazendo sentido. Vivia encantada pela perfeição do seu amoroso animal.

De repente, chegou o momento da despedida, um doloroso adeus, mas o animal não se conteve e se aproximou, tocou nas mãos dele e morreu. O anjo abraçou-o fortemente e seguiu voando pela floresta.

E aí? O que acharam dos textos? Deixem nos comentários, deem coração e compartilhem <3

Acompanhe a reta final do Best Seller Brasil.

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