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SAUDADES DA INFÂNCIA

Como qualquer pessoa de certa idade, tenho saudades da minha infância. De muitas coisas eu tenho saudades, mas separei algumas que ficam na memória com maior intensidade, principalmente aquelas que estão relacionadas ao carinho da minha avó. E para ela fiz o seguinte poemeto.

Naquele tempo, eu nem cogitava que a minha avó seria uma protagonista marcante em minha vida futura. Minhas considerações naquele longínquo agora, eram muito limitadas e até incômodas ou malcriadas. Precisou que o tempo passasse, levando com ele a minha avó, que, muitas vezes, dizia para mim: “Um dia você terá saudades de mim!” Grande verdade e tão ignorada naqueles dias. Dizem que só se dá valor àquilo que que se perde. Minhas caminhadas pelo mundo afora confirmam os ditos. Então, muitas vezes, quando olho para o infinito, penso nela e digo: “É verdade, minha linda, esse tempo chegou!”

Saudades da infância


Tenho saudades do meu pijama de flanela

Quentinho e cheiroso, que minha avó fez para mim.

Tenho saudades do colchão de lã de barriguda (*), cheiroso e fofinho,

Que minha avó fofava para eu me afundar nele

Sob uma coberta de lã quentinha e cheirosa,

Onde eu me abrigava nas noites de frio intenso.

Tenho saudades das duas trancinhas finas

Que minha avó fazia em meus cabelos

E do meu sorriso alegre em ostentá-las.

Era inverno, eu gostava dele e ia dormir contente,

Aspirando fundo o cheiro gostoso do tempo ...

Que passou!


(*) barriguda – planta cujas flores são macias e cheirosas, onde são aproveitadas para enchimento de colchões e travesseiros, mas que na atualidade não são mais usadas.


Neuza de Brito Carneiro

Autora do livro Procissão dos Afligidos

Ebook pelo


o selo Venha Fazer História




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